quarta-feira, 18 de novembro de 2015

QUANDO TE ENCONTREI

Quando te encontrei
Desenhaste os teus sinais

Ouvi dizer-te: Aqui estou!

Distingui-te entre as demais 

Como não sou peregrino

Desconhecia o caminho
Não conhecia o trajecto
Mas pressentia estar perto.

Então, surgiste do nada
Por entre as brumas, de uma fraga
E te encontrei no deserto.
Tinhas nas mãos…uma flor
Teu rosto, raio de luz
Como um espelho, que traduz
O reflexo do amor.

Quando nos encontramos
Não sei se houveram sinais
Somos profetas iguais
Por isso nos encontramos.

Mário Margaride 



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

NO VENTRE DO TEU MAR SEM FIM




Gostava de te ter aqui
Sentada no colo do vento
Onde o barulho não se ouve
E a dor não se sente
Gostava de estar ai
No ventre do teu mar sem fim
Mergulhar nas tuas ondas
E deixar-me flutuar
Ao sabor da maré
Que me levará ao infinito do tempo
Do tempo que o tempo
Nunca poderá alcançar
Viajar através do sol
Que nasce no horizonte dos sonhos
No mar das ilusões
Onde as Sereias cantam
Canções de embalar
Onde adormeço
Num sono sem fim
                                            Onde um Cavalo alado
Me levará
Até ao jardim verdejante
Onde Unicórnios azuis
Galopam livremente
Em cavalgadas compassadas

Pelas planícies da esperança.

Mário Margaride


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

JUNTA À PRAIA

Junto à praia
O nosso olhar se prolonga
No horizonte quase infindável
Deste mar imenso
De um azul esverdeado
Que nos atrai
Nos fascina
Nos tranquiliza.
O nosso olhar
Se perde
Neste gigantesco palco
Onde o horrendo e o belo
Convivem lado a lado
Numa dança sem fim.
Neste implacável
Mas sedutor cenário
O nosso olhar se delicia e sacia
Na imensidão
Agora calma
Deste poderoso, mar.

Mário Margaride 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

NAVEGAREI NO MAR DOS TEUS OLHOS

Navegarei no mar dos teus olhos
Mergulharei na imensidão das tuas ondas
Nas profundezas do teu sentir…
Abraçarei o teu carinho
Repousarei nas margens do teu amor…
Mergulho nas ondas da tua ternura
Para me afundar por fim…

No mar imenso de ti…

Mário Margaride


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

É NAS PALAVRAS



Neste mundo desvairado e complexo
É nas palavras…
Que traduzo os meus anseios
As minhas mágoas
As minhas inquietações.

Elas são o alimento
A essência, o equilíbrio
Que me sustentam e dão razão para existir
Sem elas…não sei o que faria!
São as minhas confidentes
Companheiras, amigas…

É com elas que grito!
Que sufoco, que rio, que choro…
Palavras mágicas, utópicas
De fantasia, de sonho…
Palavras quentes, serenas, revoltas!
Tranquilas…
Não sei ao certo
Se as amo…ou as detesto!
Mas não posso viver sem elas.



 Mário Margaride 


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OS PASSOS DA NOITE




Observo os passos da noite
Na sua absorvente e longa caminhada
Que nos envolve e nos abraça
No seu inebriante sono
Tomando conta da nossa mente
Nos embriaga
No torpor dos seus sonhos
Indecifráveis.
Os seus passos cadenciados
Marcam o compasso
Do nosso adormecer.
Nas madrugadas incolores
Que abrem as portas semi-cerradas
Do nosso sobressaltado
Alvorecer.
Silêncio branco
Na noite escura de breu
Onde a mente se apaga
No tumultuoso sonho
Que a invade
Como um enorme manto de neve
Gelando todos os sentidos
Cristalizando as emoções.
A noite se despede
Com um brilho ofuscado
Na face enregelada
Do sonho que não sonhou
Do corpo que não dorme
Num compasso descompassado
Onde a noite acorda

Do silêncio dos seus passos.

Mário Margaride

sábado, 24 de outubro de 2015



GRITOS SILENCIOSOS

Junto ao rio da indiferença
Onde mergulha a desilusão
Estava deitada a quimera
Ao pé da inquietação.

Junto ao vale do infortúnio
Sentada em pose de musa
Estava a tristeza, coitada!
Sozinha, muito confusa.

Ao lado, estava o lamento
Trazendo o amor que fenece
De olhos semi-cerrados
Pousando os braços cansados
Sobre os joelhos, em prece.

Por fim, lá estava a agonia
Com a alma a sangrar
Deitada sobre um manto
Sufocada em mudo pranto
Sem vontade de chorar…

Mário Margaride