sábado, 23 de abril de 2016

HOJE AS PALAVRAS CANSARAM

Hoje as palavras cansaram
Não lhes apetece falar.
Não querem repetir o que disseram ontem…
A epidemia da surdez
Obstruiu os tímpanos do mundo
A surdez é tão grande, tão grande!
Que as palavras se cansaram
De não serem ouvidas!
De serem ignoradas!
De serem deitadas ao lixo
De serem maltratadas.
Por isso
Hoje as palavras não querem falar
Amanhã, quem sabe!
O mundo desentupa os ouvidos
E as palavras…
Voltem de novo a falar.

Mário Margaride




sexta-feira, 15 de abril de 2016

HÁS-DE MORRER EMPANTORRADA!


A sala estava cheia
A mesa repleta das melhores iguarias
Uma mesa farta.
A Gula se instalou
Assentou arraiais
Comeu, comeu, comeu…
Até não poder mais.
Não satisfeita ainda
Mandou vir mais uns petiscos
E mais uma boa pinga.
Não parou de se saciar
Até cair para o lado
E adormecer
De tanto o estômago
Empanturrar.
Lá fora…
Famintos e ao frio
Pobres almas morriam de fome
Sem ter um pão sequer…para comer
A Gula, porém
Pouco se importa!
Que almas famintas
Desesperem
Morram
Enquanto esbanja
Se empanturra
Deite fora
O pão…
Que aquelas almas famintas
Podiam matar a fome.
Maldita Gula!
Hás-de morrer
Empanturrada
Sozinha

E espezinhada!

Mário Margaride


terça-feira, 5 de abril de 2016

RUA DA LUXÚRIA ONDE MORA A INVEJA



Na calçada empedrada
Da rua onde mora a luxúria
Mora ao lado a inveja
Acutilante
Onde o seu mesquinho
E asqueroso olhar
Observa com cobiça
Corpos em desvario lascivo
Onde a luxúria se impõem.

Ah, inveja impiedosa
Que mordes os lábios
Ranges os dentes!
Dás murros no chão.

Descansa, megera asquerosa
Podes ferver e rugir
Na rua por onde tu passas
Cuspindo inveja aos molhos
Pois a gente que lá passa
Tem de ti, tamanho nojo
Ninguém te presta atenção.

                                                     
 Mário Margaride