quinta-feira, 29 de outubro de 2015

É NAS PALAVRAS



Neste mundo desvairado e complexo
É nas palavras…
Que traduzo os meus anseios
As minhas mágoas
As minhas inquietações.

Elas são o alimento
A essência, o equilíbrio
Que me sustentam e dão razão para existir
Sem elas…não sei o que faria!
São as minhas confidentes
Companheiras, amigas…

É com elas que grito!
Que sufoco, que rio, que choro…
Palavras mágicas, utópicas
De fantasia, de sonho…
Palavras quentes, serenas, revoltas!
Tranquilas…
Não sei ao certo
Se as amo…ou as detesto!
Mas não posso viver sem elas.



 Mário Margaride 


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OS PASSOS DA NOITE




Observo os passos da noite
Na sua absorvente e longa caminhada
Que nos envolve e nos abraça
No seu inebriante sono
Tomando conta da nossa mente
Nos embriaga
No torpor dos seus sonhos
Indecifráveis.
Os seus passos cadenciados
Marcam o compasso
Do nosso adormecer.
Nas madrugadas incolores
Que abrem as portas semi-cerradas
Do nosso sobressaltado
Alvorecer.
Silêncio branco
Na noite escura de breu
Onde a mente se apaga
No tumultuoso sonho
Que a invade
Como um enorme manto de neve
Gelando todos os sentidos
Cristalizando as emoções.
A noite se despede
Com um brilho ofuscado
Na face enregelada
Do sonho que não sonhou
Do corpo que não dorme
Num compasso descompassado
Onde a noite acorda

Do silêncio dos seus passos.

Mário Margaride

sábado, 24 de outubro de 2015



GRITOS SILENCIOSOS

Junto ao rio da indiferença
Onde mergulha a desilusão
Estava deitada a quimera
Ao pé da inquietação.

Junto ao vale do infortúnio
Sentada em pose de musa
Estava a tristeza, coitada!
Sozinha, muito confusa.

Ao lado, estava o lamento
Trazendo o amor que fenece
De olhos semi-cerrados
Pousando os braços cansados
Sobre os joelhos, em prece.

Por fim, lá estava a agonia
Com a alma a sangrar
Deitada sobre um manto
Sufocada em mudo pranto
Sem vontade de chorar…

Mário Margaride 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

PÁGINAS DA VIDA



Ao olharmos para dentro de nós
Para as páginas que escrevemos
No livro das nossas vidas
Estão vivências multicolores
Ora mais cinzentas
Que nos gelam a alma
Ora de cores brilhantes
Como a Primavera em flor.

Páginas escritas
Com as cores do nosso sentir
Onde as palavras não se vêm
Mas se sente a sua força
A sua intensidade
Ao folhear cada página
Que dentro de nós gravamos.

Neste livro que escrevemos dia-a-dia
Nestas páginas carregadas de emoções
Gravados ficarão os sentimentos
Que transportamos bem juntinho…
Aos corações.



Mário Margaride


NO SILÊNCIO DA NOITE



No silêncio da noite
No cansaço que o meu corpo transporta
Deixo que o sono me absorva
E devore a minha mente
Absorta no torpor das emoções.
Nas horas alucinantes da noite escura
Onde o sono me engole lentamente
Abro a janela dos sonhos
Deixo a mente flutuar
No universo incontrolável
Do desejo sonhado
Onde quero voar
Me deliciar
No silêncio da noite.

Mário Margaride